Câmera: Canon EOS Digital Rebel XSi
Exposição: 1/400 s
Abertura: f/5.6
Distância focal: 235 mm
ISO: 800
Horário: 16:39:53
Local: Praça da Sementeira em Petrolina-PE
Mas todos acreditam no futuro da nação. Já dizia Renato Russo em uma das suas celebres interpretações. Sinceramente, a foto do dia não seria essa. Indo pra casa, passo na Praça da Sementeira, cruzamento importante na cidade de Petrolina-PE, e vejo um artista de rua. Ele todo empolgado com seus malabares, recolhendo moedinhas cuspidas dos automóveis, como se fossem um pagamento do motorista pelo prazer do não ser importunado por aquele mísero cidadão. Estacionei, peguei a câmera e fui montar minha composição. Tudo indo nos conformes, se não fosse pela senhora que vos apresento: Dona Fulana, residente não sabe onde e nem porquê. Seu passado lhe condena e seu presente é um martírio. Não chamo de prisão, não sei o que ela teria feito pra merecer tal punição. Às vezes, a vida tende a aprontar com o indivíduo, não partilhando de condições mínimas de um pouco de sensatez. Prefiro acreditar que a situação não seja casual, muito menos aceitável; no mínimo, ela é vergonhosa. É indignante ver todo esse descaso do poder público perante as necessidades básicas do seu povo, aquelas que são tão explícitas como "Dos Princípios Fundamentais". Seria cômico se não fosse trágico. Cotidianamente, vemos investimentos absurdos em obras futebolísticas, com estádios custando dezenas de milhões de reais, vemos ampliações de espaços destinados único e exclusivamente a desfiles carnavalescos, dinheiro público utilizado em obras particulares, vemos paraísos fiscais amarrotados de dinheiro que seria utilizado em prol de melhorias em saúde, educação, segurança, esporte, infra estrutura que, de fato, seria útil ao crescimento do país e da sua população. Só não vemos a cor desse dinheiro, desse nosso dinheiro. Andamos por estradas péssimas, ruas mal iluminadas e insegurança por toda parte, hospitais lotados de pacientes e com infra estrutura precária, investimentos mínimos em educação, diversão e cultura; os impostos são tão inflacionados que ficamos bestificados, em uma espécie de penumbra melancólica, na qual esperneamos pra sair, nos debilitando mais ainda, e sem efeito algum. Ficamos sentados em frente à computadores, reclamando da situação, de que nada é feito conta esse sistema perverso e excludente, crendo que o digitar uma denúncia iria surgir tanto efeito quanto ir à batalha [sim, tá bom, é uma metalinguística sim... desculpem]. Mas tudo bem. Dona Fulana não se importou muito, ela nem viu a hora do clique, sua Coca Cola estava muito saborosa pra se preocupar com uma situação tão normal, pra ela, que seria dormir no banco da[s] praça[s]. Eu, após o registro, fiquei pensando no que escrever, e muita coisa surgiu. Concluo que, o prazer vital de alguns se equivalem ao gás do refrigerante, e o doce do mesmo é tão ilusionista quanto o rótulo que o cerca.

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