O título do blog é referente a cada um dos dias do ano em que fotografei e escrevi algo e postei por cá.
Todo dia ele será atualizado, com uma foto e um textinho feitos no dia, e que vai variar de acordo com o tempo,
a paciência e os sentimentos envolvidos no momento.
Espero que gostem, se envolvam, opinem, compartilhem experiências similares, enfim, interajam com as postagens.
E divulguem sempre que puderem e acharem que é válido!

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

18º dia.


Câmera: Canon EOS Digital Rebel XSi
Exposição: 1/160 s
Abertura: f/10
Distância focal: 135 mm
ISO: 800
Horário: 18:03:36
Local: Cemitério Municipal em Petrolina-PE

Clique aqui pra ver a foto em tamanho maior


A dualidade entre o estar vivo e a eternidade é algo que intriga a humanidade a muito tempo. A razão pra nascermos, vivermos nesse mundo tão afoito, cheio de contradições, impregnado de malícias e bonanças, é um mistério. Raul Seixas canta perfeitamente bem a temática do quem chega pra viver e quem vai embora, falecendo, em sua música "O trem das 7", onde o eufemismo impera pra sintetizar a dor da partida e a alegria da chegada, colocando um trem como um elo entre a oposição mais perversa pela qual passamos. E é difícil lidar com a despedida, seja ela como for. A consciência humana é capaz de amenizar a situação, deixando que as lembranças boas tomem conta, sufoquem os pensamentos, e faz uma tentativa de que a perda de alguém seja compensada com essa presença mental. Somos capazes de criar esse mundo fictício, nosso mundo, onde podemos conversar, ver, rir, chorar, aplaudir, reclamar... Mas não podemos suprir a perda. Ela é inestimável, irreparável. Diversas crenças tratam a morte como preferem, algumas indo pra o lado da reencarnação, outras, purgatório e redenção dos pecados e vida eterna com anjos e trombetas o recebendo na porta do céu. Alguns creem que não passamos de um pedaço de carne vagando nesse cosmo infinito, onde o que fazemos é praticamente inerte aos propósitos universais. A esperança de encontrarmos quem verdadeiramente amamos, post mortem, é realmente incentivador, confortador, situação que imaginamos cada vez que lembramos de alguém que nos deixou, assim, sem se despedir, sem dizer que ama, sem sorrir, sem reclamar, pela última vez... O fato é que a morte sempre nos cerca, mas não nos afeta tanto quanto acontece com  nossos mais próximos. É aí, mesmo, que sentimos a força que tem a vida, que sentimos a importância, a dádiva do nascimento, e passamos a dar mais valor a quem realmente nos ama, só em pensar em algo parecido possa acontecer com eles, em breve. Talvez não seja da mesma forma que você perder, mas ver quem gostamos perder algum ente querido é devastador. Mexe com as bases, o equilíbrio é outro. O sofrimento se alastra facilmente, entra nas gretas e alaga o vago salão que passa a ser um mero coração, que antes batia pra viver, e hoje, o faz por pura inércia. Sinto que podemos fazer um tanto pra ajudar quem passa por situações críticas, a magnitude da dor é seca demais pra ser degustada demoradamente. Tenho certeza que o fato de estarmos juntos, orando, crendo que Papai do Céu requisitou a presença dessa pessoa pra fins maiores, reconforta bastante. Uma felicidade dividida, são duas felicidades; um tristeza dividida, é meia tristeza. O que incentivo é ter forças, fé, perseverança, contar com os amigos pra qualquer eventualidade, uma conversa, um desabafo, um choro. Ele alivia, cai bem. Quero lhe encontrar, amigo, quero lhe dar um abraço, quero ver esse sorriso estampado, quero ver você divertindo todos, como sempre, que tenho absoluta, a mais absoluta certeza de que seu pai estará onde for, com o mesmo orgulho que sempre teve do seu filho querido, amigo do peito, companheiro em todas as ocasiões.

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