Câmera: Canon EOS Digital Rebel XSi
Exposição: 1/400 s
Abertura: f/9
Distância focal: 55 mm
ISO: 200
Horário: 17:57:03
Local: Estacionamento do Hotel Serra do Ouro em Jacobina-BA
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Confesso que não estive muito bem neste dia. Até então, tudo parecia nos conformes, risonho, curtindo a estadia de veraneio pela Cidade do Ouro, minha terra natal, até o momento em que um passado que me atormenta pulou o muro e adentrou na minha mente. Um evento que leva a outro evento similar, que tem marcado drasticamente meu cotidiano. Quem conviveu comigo nas duas situações, sabe o que uma atitude boba é capaz encadear uma série de consequências que até hoje minam minha personalidade. E minhas atitudes, por conseguinte. É complicado, extremamente complicado lembrar do semblante dos meus pais após o ocorrido, lembrar das minhas atitudes caracterizadas com irreconhecíveis, lembrar dos meus amigos querendo ajudar, dos amigos que se fingiam de amigos não fazendo nada por achar uma situação normal, lembrar da possibilidade [enorme] de ter sido algo bem pior, se envolvesse alguém no contexto [infelizmente, paguei a valiosa moeda solitariamente, o que de fato me ensinou mais ainda a lição], lembrar que acordei com a vontade de sumir por uma década, do tamanho que era a minha decepção e vergonha... E isso não te abandona, o que agrava a situação. Acordar no meio da noite com um susto de algo estar acontecendo nele, da mesma forma, suar frio, chorar pela mediocridade que o ato impôs, chorar pela falta de consciência que o momento proporcionou, chorar de remorso por ter feito seus pais te acharem um cara perfeitamente diferente do que eles têm certeza de que você é, chorar por achar que aquilo foi passageiro e ter a convicção de que onde você vá, ele estará ali, sentado no banquinho, te olhando e dizendo: "Eu te avisei que num era pra fazer aquilo, mas a sua teimosia será exemplar. Um dia me retiro parcialmente dos seus pensamentos, mas isso não implica que seus pais farão o mesmo". Dito e certo. Sinto as cicatrizes fechando, pouco a pouco, mas a dor passa, ficando apenas a marca, pra sempre. E é ela que machuca, que incomoda, que impregna os meus pensamentos. Assim como o amanhecer e o entardecer, me regenero e trago comigo um ar de esperança, de prosperidade, de aprendizado, de humildade e de personalidade pra assumir os erros, não cometê-los novamente e olhar em volta e gritar: "Obrigado Deus, pelos pais que eu tenho!".

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