Câmera: Canon EOS Digital Rebel XSi
Exposição: 1/800 s
Abertura: f/9
Distância focal: 250 mm
ISO: 200
Horário: 11:03:23
Local: Fazenda Luca
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E como deve ser difícil sobreviver nas adversidades. A falta de condições básicas e/ou ideais pra que as situações fluam da melhor maneira possível é uma predestinação para esse nosso Nordeste, o nosso sofrido sertão onde a esperança brota com o sereno e padece com o raiar do sol. Está sendo agonizante lidar com a miséria imposta pela falta de água que chegou a um estado de calamidade. A velha frase do "pior não fica" está prestes a se concretizar, se São Pedro não intervir e fazer descer muita chuva nessa árida região brasileira. Entristece perceber a angústia do rosto do senhor que olha pra sua terra e não pode lavrar a mesma, plantar sua roça e colher seu sonho. É bastante perturbador ver os animais morrendo de sede, de fome, observar a imensidão desse solo que já é sofrido por natureza e que ainda apanha todo dia do sol maçante. O sertão tá passando a ser a música Asa Branca novamente, tá se tornando desértico, não há mais gente que resista a tanto sofrimento. As casas estão sendo abandonadas, moradores procurando um lugar que tenha um copo com água pra saciar sua sede e salvar seu nome, pois sabe que se insistir contra a natureza, a morte o leva antes da hora. Tem mandacaru, palma, tem umbuzeiro e umburana morrendo, tem carcaça de gado por todo lado, tem lagoa rachada, tem sonho desfeito, tem vontade e olhares perdidos na claridade do sol e na vegetação de nome caatinga, que se diz "floresta branca", mas que se se tornar vermelha, representa bem o sangue e suor derramado pela garra do nativo que vai embora e fica a orar pelos tantos santos e Padrinhos que da forma deles, os ajudam como sem falta. A volta ao lugar de origem é o prêmio para quem não vive seu o chocalho dos bodes, o catar de lenha no fim do dia, a água correndo na bica, o chiar dos tico-ticos fazendo ninho nas algarobas... A adversidade modelou o nordestino à sobreviver com as circunstâncias mais críticas possíveis, o que ao mesmo tempo o engrandece, mas o deixa à mercê de problemas sociais que são passíveis de serem contornados, se houvesse algum interesse por parte do poder público. Este, não demonstra a mínima motivação em extinguir a indústria da seca, o meio de votos mais banal que se tem notícia, visto o nível de condições extremas a qual expõem a população em troca de cargos políticos. Projetos bem planejados e aplicados, poços, sisternas, tanques, investimentos com a devida logística, seriam o suficiente pra amenizar a concepção de martírio que adotamos, passando a crer numa melhoria nas condições de vida dessa parte esquecida da nação brasileira. Sei que de fato, me ORGULHO de ser NORDESTINO! Oxe...
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