O título do blog é referente a cada um dos dias do ano em que fotografei e escrevi algo e postei por cá.
Todo dia ele será atualizado, com uma foto e um textinho feitos no dia, e que vai variar de acordo com o tempo,
a paciência e os sentimentos envolvidos no momento.
Espero que gostem, se envolvam, opinem, compartilhem experiências similares, enfim, interajam com as postagens.
E divulguem sempre que puderem e acharem que é válido!

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

21º dia.


Câmera: Canon EOS Digital Rebel XSi
Exposição: 1/5 s
Abertura: f/5.6
Distância focal: 179 mm
ISO: 1600
Horário: 20:02:56
Local: Rio São Francisco em Petrolina-PE

Clique aqui pra ver a foto em tamanho maior


Indo pra casa nessa noite, depois de um longo e cansativo dia na universidade, percebo a movimentação dos pequenos pescadores no Rio São Francisco. O solitário senhor com sua singela canoa desliza sorrateiramente pela superfície das águas barrentas, proveniente das ótimas chuvas que têm abençoado o sofrido solo nordestino. Falando em chuvas, o céu estava bastante carregado, lindas nuvens de trovoadas pairavam no Vale. Mas isso não era empecilho para o pescador [de ilusões?] ir em busca do seu pão de cada dia. Com toda certeza, ao sair de casa, deixando a esposa e filhos provavelmente apreensivos, ele pediu a proteção de quem ele acredita lhe fazer bem, lhe guiar pelos melhores caminhos, dar força, fé, sorte, pra voltar pra casa vivo e conseguir muitos pescados, bonitos, grandes, sadios, rentáveis... De fato, quase não paro pra clicar. Como tenho adotado a bicicleta como meio de transporte no dia a dia, fico de certa forma vulnerável à ação de meliantes. Atravessar a Ponte Presidente Dutra à pé ou de bike, e à noite, já foi uma atitude bastante perigosa. Atualmente, tem estado mais segura, o que permitiu a minha parada pra registrar aquele momento, onde o pescador estava passando em sua canoa pelo reflexo quente da luz de vapor de sódio, me cativando bastante. Aí foi a minha vez de pedir proteção a quem me faz bem, seja lá quem for: Iemanjá, Buda, Deus, Jah, Alá... Se você tem fé, aquela que move montanhas, você já é um abençoado. E assim fiz. Terminei meu percurso de cinco quilômetros até em casa e encontrei o afeto e o aconchego de quem me colocou nesse mundo, que também pede todos os dias pra quem ela acredita que a faz bem, a proteção, o sucesso, a saúde, a perseverança, e a certeza de que, se a família dela estiver bem, ela também estará. E o pescador? Com fé em Deus ele voltou pra casa antes da ótima chuva cair, com a canoa repleta de pescados.

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