Câmera: Canon EOS Digital Rebel XSi
Exposição: 1/160 s
Abertura: f/4
Distância focal: 70 mm
ISO: 1600
Horário: 17:53:24
Local: Quadra poliesportiva na orla fluvial em Juazeiro-BA
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O Brasil está prestes a receber dois eventos de grande porte, padronizados mundialmente: a Copa do Mundo de futebol masculino, em 2014, e as Olimpíadas, em 2016. Para poder estar apto a realizar de forma satisfatória essas competições, o governo federal tem implantado diversas políticas, em várias áreas: cursos de língua estrangeira [principalmente o inglês, básico, básico mesmo, têm sido disponibilizados gratuitamente], investimentos elevadíssimos em infra estrutura [estádios, metrôs, aeroportos], capacitação da população pra receber os turistas da forma adequada, rede hoteleira tem se aperfeiçoado, atualizando-se, inovando... e dessa forma, cria-se uma penumbra de que a situação real sócio econômica brasileira tende a melhorar. Percebemos nitidamente a preocupação dos realizadores dos eventos em demonstrar pro mundo que somos esteticamente modernos, socialmente equilibrados, economicamente estabilizados, que somos o país do futebol, onde o pão e circo não opera mais da mesma maneira, onde os trabalhadores levarão suas famílias pra apreciar atletas de ponta, desfilando qualidade esportiva e beleza física pelos estádios de competição. Mas é onde tudo se modela em ilusão de ótica, onde a letra de Zé Ramalho se embrenha na fuça do sujeito e incomoda: "Tá vendo aquele edifício moço? Ajudei a levantar. Foi um tempo de aflição, eram quatro condução, duas pra ir duas pra voltar...". Os gringos receberão do bom e do melhor: atenção, segurança, assistência médica de qualidade, levarão de nós belíssimas fotos dos nossos cartões postais. E os brasileiros, o que ganharão com isso? Esses altos investimentos se tornarão uma malha gigantesca e interminável de impostos de todas as vertentes possíveis e imagináveis. Esses bilhões de reais investidos seriam melhor empregados se utilizados de forma precisa, em saúde, educação, estradas, saneamento, iluminação, segurança... Pode pensar aí: "Mas a infra estrutura ficará pra nós". Em certo ponto, sim. Mas não é direcionado. Praticamente nada mudará na educação e saúde. Estádios de futebol não formarão pessoas modificadoras da sociedade, mentes pensantes, com qualidade pra produzir conhecimento. Continuaremos a ver pessoas morrendo nos leitos hospitalares. Continuaremos a ver policiais sendo mortos em frente à família e na porta de casa. Continuaremos a ver a deplorável situação da educação, no seu estágio terminal em investimentos. Continuaremos a ver os altos impostos, o baixo salário mínimo pro trabalhador e os altíssimos e absurdos salários dos políticos [sem contar nas inúmeras regalias]. Nada mudará depois de 2016. Sensato seria investir em nós, que pagamos muito pra viver com tão pouco. Conveniente seria investir na qualidade de vida desde a infância, proporcionando adultos conscientes dos seus direitos e deveres.

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